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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Imóveis, Matematica e o Casamento.

A saúde financeira da família é o termômetro definitivo quando se pensa no futuro e as aventuras que ele nos reserva. Felicidade não tem preço - isso é uma verdade absoluta e indiscutível -, mas ter uma expectativa mínima de sucesso e viver um futuro pleno são questões intimamente ligadas ao desejo de bem estar. E isso envolve dinheiro.

Erros e acertos
A maneira como somos educados hoje propõe, infelizmente, que só muito tarde tenhamos consciência da utilidade do dinheiro. Normalmente, nessa fase (entre 15 e 18 anos) já ocorrem os primeiros grandes erros financeiros que podem nos acompanhar por boa parte da vida. Alguns por falta de bons exemplos e exercício prévio.

Pois bem, já falamos anteriormente que decisões tomadas em momentos de grande emoção podem representar insucessos e perdas consideráveis. Essa máxima pode ser levada adiante em diversos momentos, desde os preparativos para o inicio de uma vida a dois, por exemplo, até a fase da transição do namoro para o casamento.

Um bom exemplo de falta de planejamento e conhecimento financeiro surge de um velho conceito de que o casal precisa de um imóvel próprio para iniciar uma vida. A partir daí, verdadeiras loucuras financeiras são realizadas. Será que começar uma vida com um comprometimento financeiro de 10, 20 ou até 30 anos é algo saudável e inteligente?

“Mas o aluguel é um dinheiro que não será recuperado e a casa própria pode se valorizar, alem de ser um bem da família”. Ah sim, isso é o que normalmente ouvimos aqui e ali. E não deixam de ser afirmações significativas e emblemáticas, mas quando o assunto são as finanças pessoais devemos aprender a enxergar algumas variáveis “fora da caixa”.

Hoje em dia, um imóvel padrão de 3 quartos (o mais procurado em São Paulo e outras cidades) gira em torno de R$ 110 mil - um pouco mais ou menos dependendo da área. Tendo como base um exemplo matemático para um financiamento de 20 anos, as parcelas mensais para esse mesmo imóvel de R$ 110 mil ficarão por não menos de R$ 1.211,00 (levando-se em conta o financiamento total do imóvel).

Como referência, o valor base de um aluguel gira em torno de 0,8% do valor do imóvel. No nosso exemplo, isso significa alugar o imóvel por cerca de R$ 880,00. Ora, se a diferença entre o valor da parcela do financiamento e o valor do aluguel, R$ 331,00, for aplicada a juros de poupança durante os mesmos 20 anos, o valor final seria quase R$ 177 mil.

Este valor final, se aplicado na caderneta de poupança, com apenas com 0,5% de rentabilidade mensal, é capaz de garantir um rendimento mensal de R$ 883,37, suficiente para o pagamento do aluguel de uma casa de padrão semelhante à que se usa no exemplo. O valor do financiamento, com pagamento mensal de R$ 1.211,00 durante 20 anos, chegaria a perturbadores R$ 290.640,00.

Sem verdades absolutas
O exemplo faz uso da matemática financeira básica e parte de premissas simples. Assim, três coisas importantes merecem destaque, para que ninguém fique com a impressão, incorreta, de que alugar é sempre a melhor alternativa. O importante é aprender a pensar:

1. No cálculo não foram usadas correções monetárias decorrentes da inflação. Sabe-se que o valor do aluguel e o poder de compra sofrem com a inflação, o que mudaria um pouco o cenário do valor do aluguel e do financiamento. Por outro lado, é comum que os reajustes salariais também aconteçam anualmente.

Optei por manter o cálculo simples, sem inflação, com objetivos puramente didáticos. O raciocínio e a consciência financeira por trás do cálculo são mais importantes que a conta em si.

2. Quando se fala em compra de imóvel, deve-se levar em conta o chamado ganho de capital, que é a variável representada pela valorização (ou desvalorização) do bem. Se o imóvel tem valorização anual positiva em seu valor, o ganho de capital trará ótimos resultados em termos de patrimônio, mesmo que o imóvel seja financiado.

No entanto, comprar um bom imóvel e ter a certeza de que ele se valorizará não é uma tarefa simples. Por isso o artigo trabalha a tese de que, para casais em começo de vida, o ideal é alugar e então passar a analisar melhor a situação e planejar-se de forma conjunta.

3. Um bom valor para dar como entrada, reduzindo o valor do principal financiado, pode ser o melhor negócio. Daí a importância de começar devagar e analisar bem antes de assinar qualquer contrato. Se necessário, peçam ajuda!

Este artigo tenta ilustrar um dos exemplos mais práticos de quanto más escolhas podem atrapalhar o desenvolvimento de uma relação. Uma decisão apressada e tomada apenas com base em pressões sociais pode levar o casal a passar por sérios problemas financeiros, desnecessariamente.

Por mais que resista e prospere no inicio de um relacionamento, o amor não resiste à falta de perspectivas. Entrar em maus negócios sem raciocinar implica muitas vezes viver uma vida de gastos estritamente necessários (alimentação, saúde, transporte e moradia) sem espaço para o prazer e a diversão.

Lembre-se que quando vocês dois se conheceram, o relacionamento era muito mais de sonhar do que sobreviver. Manter esta chama acesa significa dar atenção ao dinheiro e encará-lo com seriedade e disciplina. É preciso aprender a discutir as alternativas, e não apenas aceitá-las.

O amor pode não acabar, mas o dinheiro às vezes desaparece...
Então, as brigas passam a ser constantes, ladeadas por desavenças ligadas a bens de consumo, carros e gastos desnecessários. É porque o marido comprou um DVD novo e não havia dinheiro para isso, é porque a esposa gastou um pouco mais no salão de beleza ou comprou um sapato novo.

Quer ver só: chegou o aniversário de casamento e nem mesmo um simples presente foi dado? Será que o amor acabou? Arrisco-me a dizer que não, mas se não foram tomadas atitudes inteligentes desde o começo, é essa a impressão que perdurará. Dinheiro é coisa séria.

Essas são as armadilhas do mundo capitalista. Infelizmente. Ou será felizmente, já que está em nossas mãos o poder para mudar de atitude? Quem não se enquadrar, correrá riscos e mais riscos de encontrar uma jornada mais difícil em sua vida. Por opção.

Ah, sim, existem muitas escolhas boas e ruins. Nem sempre é possível acertar 100% das vezes. Não teria graça. O ideal é manter sempre aberto o diálogo e manter o planejamento feito e em dia. A expectativa de vida cada vez maior exige que tratemos melhor nossa saúde física, mas também requer cuidados intensos com a saúde financeira. Até sexta.

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Ricardo Pereira é consultor financeiro, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Planejamento Financeiro entre Casais

Depois de mais uma discussão sobre a gestão das finanças da família, você já não descarta nem mesmo se separar? Ao invés disso, por que não investir algum tempo na educação financeira do casal, de forma a analisar como vocês administram o patrimônio?

Além de financeiramente mais benéfica, esta postura pode acabar aproximando-os. Afinal, não existe nada melhor para unir um casal do que compartilhar sonhos e objetivos.

Aprendendo, juntos, a lidar com o dinheiro
A maioria das pessoas não aprende na escola ou em casa como administrar o seu dinheiro. Se aprender sobre finanças não é algo que você entende como diversão garantida, certamente em dupla a tarefa, além de mais simples, se tornará um pouco mais agradável.

Comece tentando entender como está a situação financeira da família, qual a renda mensal com a qual podem efetivamente contar, qual o nível de despesas que possuem. Feito isso, é possível estabelecer o quanto do salário de cada um será usado para arcar com despesas mensais.

Este percentual pode e deve variar de acordo com o salário de cada um. Afinal, é importante que ambos possam reservar parte do seu orçamento para gastos pessoais, sem ter que se preocupar com o orçamento familiar.

Se uma das partes está mais familiarizada sobre finanças do que a outra, por que não compartilhar este conhecimento? A administração efetiva do dinheiro pode até ficar com o cônjuge que tem mais interesse ou tempo, mas o fato dos dois estarem informados sobre o tema e compartilharem a decisão reduz a chance de conflitos.

Construindo o futuro junto
Antes de começarem a planejar o seu futuro financeiro juntos, é importante que entendam a postura individual com relação ao dinheiro. Que tipo de infância cada um de vocês teve? Se o passado financeiro das famílias é muito distinto, isso pode levar a um comportamento diferente com relação à forma como gerenciam o patrimônio. E isso deve ser levado em consideração no planejamento das finanças do casal.

Quando nos casamos, prometemos compartilhar as felicidades e tristezas da vida. Uma forma positiva de começar a seguir estes votos é estabelecer compromissos financeiros para o casal. E para isso é preciso aprender a respeitar a visão do outro, e estabelecer responsabilidades. O equilíbrio entre manter a individualidade e planejar juntos é o grande desafio financeiro dos casais.

Qual dos dois vai se responsabilizar pelo pagamento das contas? Quem é que vai acompanhar o saldo bancário? A melhor alternativa certamente é manter as contas individuais e abrir uma conta conjunta. Quando os cônjuges têm um perfil muito distinto de investimento, uma alternativa para minimizar as brigas é deixar uma parcela da renda para que cada um disponha da forma como bem entende. A maior parcela, contudo, deve seguir as regras conjuntas do casal.

Caso o orçamento da família esteja completamente comprometido, o primeiro objetivo deve ser cortar gastos, ou identificar novas fontes de receita, de forma a conseguir poupar uma quantia todos os meses. Antes de alcançar esta meta, qualquer outro objetivo não passa de fantasia.

Uma coisa é certa: quanto antes começarem a planejar juntos o futuro financeiro da família, melhor. Lembre-se do poder multiplicador dos juros. Se de um lado ele pode levar um casal a se atolar em dívidas, por outro pode ser extremamente positivo para aqueles que poupam de forma consistente.

Cuidados com a conta conjunta
A conta conjunta surgiu para facilitar a vida dos casados, especialmente para aqueles que ganham mais, ou menos, que o parceiro. No entanto, a facilidade desta conta pode se transformar num perigo, quando não há um controle financeiro rígido entre os dois.

É preciso estabelecer até quanto cada um pode gastar, visando evitar o risco de não possuir fundos para cobrir as despesas, o que pode levá-los a entrar no cheque especial. Apesar de ser importante manter a independência financeira das partes, com o casamento é preciso pensar se os gastos não vão afetar o orçamento familiar.

Afinal, você não está mais sozinho(a) e precisa pensar na família antes de assinar um cheque. Lembre-se que o titular da conta é quem responde contratualmente pelos cheques sem fundo, podendo acabar tendo que responder por dívidas contraídas pelo outro correntista. Por isso, o planejamento financeiro é tão importante.

Também é preciso um certo planejamento, pois vocês não querem ficar pagando CPMF sobre transferências de última hora. É aí que fica clara a importância do planejamento. Deixe sempre uma folga na conta para gastos extras, mas evite deixar dinheiro demais parado na conta.

Equilibrando financeiramente a relação
Atualmente, um número maior de mulheres alcança a independência financeira antes de se casar. Por isso, podem ter certa dificuldade para compartilharem suas decisões. Por outro lado, o marido pode se sentir inseguro se não for o principal provedor da casa, ou caso a esposa decida parar de trabalhar para dedicar mais tempo aos filhos.

Estas questões precisam ser discutidas abertamente, de forma que, juntos, marido e mulher encontrem o equilíbrio financeiro. Por mais que o assunto pareça difícil de ser abordado, é importante que cada parte se sinta confortável com o papel que escolheu.

O fato de não se sentirem completamente confiantes sobre a forma como devem gerir o dinheiro do casal não deve ser usado como desculpa. Na dúvida, a alternativa é começar aplicando o dinheiro em aplicações conservadoras, como a poupança ou os fundos DI. Estas aplicações embutem risco muito baixo e ao menos o dinheiro não fica parado.

Começando aos poucos
Só não erra quem não toma decisões. E quando o assunto é dinheiro, existem várias alternativas de investimento que podem atender aos objetivos de vocês. Assim, a preocupação deve ser a de evitar aquelas aplicações que decididamente são erradas. E isso é bem mais simples do que se imagina.

A forma mais fácil de evitar este tipo de insegurança é começar aos poucos, propondo metas de curto prazo. Estabelecer um objetivo interessante de curto prazo pode ser o incentivo precisam para mudar radicalmente os hábitos financeiros do casal e, é claro, o primeiro passo para o alcance do patrimônio que tanto sonham!

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